Mas durante o último mês, a mudança a que tenho assitido tem sido marcante. Família de brancos – de caras pintadas com a bandeira nacional – aventuraram-se em autocarros a entrar em townships de comunidades negras pela primeira vez, sedentos de descobrir o seu próprio país. Imigrantes de todo o continente cruzaram-se em bares apinhados de gente. Congoleses fantasiados, zimbabuanos descontraídos, ganeses barulhentos com os seus tambores e pinturas faciais. Todos unidos por um raro, mas sentimento de unidade pan-africana. Depois, há os fãs de sítios mais longíquos – chocados por encontrarem, como escreveu um colunista, que é mais provável que seja mortos pela simpatia do que pelos criminosos na África do Sul. Estava em Bloemfontein para assistir ao último jogo da Inglaterra frente à Alemanha. Depois da partida, os adeptos pararam num centro comercial para beber, conviver e cantar. Fiquei a observar um grupo com duas trabalhadoras da África do Sul negros. “Os seus adeptos são espectaculares”, disse uma das mulheres. “Nós temíamos que eles fossem hooligans. Que canção linda é a que estão a cantar?”. Era, na verdade, uma música sobre os bombistas alemães e a República Democrática Alemã. Não lhe disse. Não quis estragar-lhe o momento. Agora, claro, as férias estão quase no fim, e o espírito de “regresso às aulas” começa a crescer. Não podemos voltar atrás. Temos que dar continuidade a este momento, e construir os nossos sucessos.”
Este trecho de reportagem foi retirado de uma das publicações feitas pela BBC para África. Nele, o jornalista comentou a respeito de circunstâncias das quais ele presenciou, e também situações de moradores deste contraditório país, que vive um gigantesco contraste social.
Todos sabem que apesar das influências que um país sediado pela COPA recebe, quando chega o fim do evento, vagarosamente as habituais vidas e o cotidiano retornam a rotina.
Neste caso, quero questionar você leitor, se em algum momento durante os jogos, por um acaso, você tenha refletido acerca dos milhares de crianças com AIDS, da fome, da falta de recursos, da injustiça e desigualdade social e por aí vai.
Se eu fosse relatar todos os fatores que sucumbem na pobreza deste país africano, provavelmente me faltaria espaço. Todavia, insisto em lhe chamar para uma realidade da qual talvez nem possamos imaginar. Uma realidade que vive abaixo da miséria e ainda assim, teve seu momento glorioso durante estes últimos dias.
Contudo, ao invés de ler e acreditar em todas as notícias veiculadas, vou voltar meus olhos a Deus. Acreditar que toda uma noção pode ser curada através de seu enorme poder. Através de sua graça e de seu amor.
Ore por este país! Ore para que muita coisa tenha mudado, sim, durante o mundial; mas que o melhor de Deus ainda está por vir.